terça-feira, 25 de maio de 2010
Pensamentos...
Sei que sinto ainda o teu toque, o teu cheiro, o teu sabor. Vejo e revejo imagens soltas, como flashes de instantes retratados num filme erótico que não sei se vi ou vivi. Espalho e disponho as diferentes polaroids no meu íntimo. Fecho os olhos. Continuo a não saber se foi real. Molho os pés.
O sal da água do mar lembra-me o teu suor. Lembra-me o teu corpo no meu, colado, escorregadio, quente… Tão longo e tão breve, tão intenso e tão fugaz. O sonho parece-me demasiado real, quase que consigo sentir a tua mão adúltera a deslizar nas minhas costas onde sinto agora o sopro da brisa fresca da noite. No entanto, os pensamentos não param, o coração não pára, o teu corpo não pára, o calor não pára. Dispo-me.
E entro pela rebentação adentro, sinto-a lamber-me as pernas com ferocidade e não me detenho. Uns passos mais e tudo se acalma. Sou só eu e o mar sereno, quente e paciente perante toda a minha inquietação e o meu corpo nu. Mergulho.
Sinto a água quente acariciar-me a pele, delicada e macia. Tu abraças-me. Passas as tuas mãos por todo o meu corpo de forma inocente e carinhosa, lavas-me o corpo, a alma e os pecados. Abraças-me. Transportas-me para uma dimensão nunca antes por mim explorada, nunca nada tão perverso se dissipou com tamanha inocência e ternura. Abro os olhos.
Continuo a não saber nada. Respiro.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Exaltação

Começa pequenino e vai crescendo com o ar que entra nos pulmões. Com o sangue que me corre nas veias e me enche o coração, mais, muito mais do que devia. Esse sangue que me rubra as faces quando menos quero, mesmo quando o vento me sopra para longe de mim. É um ardor pequenino que não sei ao certo onde nasce, como cresce e se multiplica, como ganha espaço e se aloja no seu cantinho sem que ninguém dê por ele. Juro que se alimenta de ar, de impulsos, de pulsações, de sangue, de nuvens, de tudo, mas silenciosamente. Vem quando não se espera, e eu, que já nem acreditava que ele pudesse existir, vejo-me amordaçada pela falta do ar que ele me rouba sem eu querer. Alimenta-se de mim e torna-me fraca. A mim, que me julgava minada de anti-corpos e barreiras defensivas. Vacinada e imune contra males deste calibre. Afinal, estou viva. Mas demasiadamente orgulhosa para acreditar em amor. Não quero e não posso.
Aconteceu ver-te entrar na minha vida. Aconteceu, por acaso, que estava distraída, distante, mas ouvi o barulho que fizeste ao entrar. Chegaste tu muito antes deste meu mal e, ainda assim, não vos consigo dissociar. Feliz por aparecerem, triste por quem são. Passo agora os dias sem dormir, e escassas são as horas em que me posso dar ao luxo de parar o relógio e acalmar a azáfama que trago aos meus dias. Apenas por duas razões muito simples: se fecho os olhos penso em ti, se durmo sonho contigo. Não quero e não posso.
Deixaste a porta aberta e foste tudo o que podias ser: mais do que querias e menos do que devias. O bichinho vai morrer e sou eu que o vou matar.
Ao som de: Lykke Li - A little bit
terça-feira, 10 de março de 2009
Uma casa velha

Nos estendais, baloiçam peças de roupa com cores sumidas, combinações e batas de modelo antigo, gastas pelos corpos e pelo tempo. Contrastando com este cenário, esvoaçam uns lençóis brancos, ali mesmo ao lado, níveos com o brilho único que o sol proporciona após a roupa corar e estar pronta a secar na corda. Cheira a sabão, cheira a limpo, cheira a velho. Cheira a flores e a campo, a galinhas e a brasas mal resfriadas. Cheira a sol e a liberdade, sente-se a essência da simplicidade.
Do outro lado da porta, cheira-se apenas a solidão. Um móvel branco comido pelo caruncho, um fogão velho e encardido, um tanque antigo com uma restia de água ensaboada, uma televisão que quase jurava não acreditar nas modernices do tecnhicolor.
E uma velha à janela, debruçada com o fio de malha grossa ao pescoço. De bata azul traçada e chinelos pretos usados, ajeita o carrapito grisalho como se trajasse de gala.
O olhar fixo no horizonte espera o padeiro. Nem a sopa ao lume, nem a ferrugem das grades, nem o caruncho da madeira, nem os buracos nas paredes, nem o vento que enrola a roupa no estendal lhe parecem importantes. A única companhia que tem, em semanas, vem lá longe, a apitar, a buzinar forte e ritmicamente, cada vez mais perto.
Ela vai comprar pão. As suas mãos ásperas e enrugadas ainda esta manhã amassaram e cozeram cinco broas de milho. Mas de que lhe serve a boca cheia de silêncio?
* Ao som de: Mew - She came home for Christmas *
domingo, 8 de março de 2009
Domingo...
Eu não sei desenhar-te, e não sei que raio de arte quero eu fazer de ti. "
* Ao som de: Diamonds are forever - Arctic Monkeys *
quarta-feira, 4 de março de 2009
Coisas (a)normais, dias (b)anais
Bem-vindos a este canto sem grande interesse!
Aproveito, já agora, para comunicar que o propósito deste blog é ser atulhado com o amontoado de palavras e frases pseudo-coerentes resultantes da minha diarreia cerebral. Um grande bem-haja e deixo-vos já com uma pequena contribuição.
Puff *